A Lua é o nosso vizinho mais próximo no espaço – a ‘apenas’ 384 000 km de distância. Nove missões tripuladas e dezenas de naves espaciais robóticas já visitaram este pequeno mundo, mas ainda há vastas áreas por explorar. Agora, a ESA está a começar a planear o momento em que os europeus pisarão a sua superfície cinzenta e empoeirada.
Durante muitos anos, os cientistas e as agências espaciais pensavam que sabiam mais ou menos tudo sobre a Lua. Depois, as naves espaciais em órbita encontraram indícios de gelo de água em crateras profundas perto dos pólos lunares. As imagens enviadas pela SMART-1 da ESA e por outros satélites orbitais revelaram também que as cristas elevadas entre as crateras polares são banhadas por luz solar quase contínua — condições ideais para a produção de energia.

Os possíveis depósitos de gelo de água e os longos períodos de luz solar fazem do polo sul lunar um alvo privilegiado para futuras missões tripuladas. A fim de preparar o terreno para uma missão deste tipo, a ESA está agora a convidar equipas industriais europeias a apresentarem ideias para o primeiro módulo de aterragem europeu na Lua.
Várias equipas já começaram a estudar diferentes possibilidades. Ao longo dos próximos 18 meses, irão trabalhar nos pormenores da missão e na conceção da nave espacial, incluindo quaisquer problemas que possam surgir ao visar e explorar um local tão acidentado. O objetivo é realizar o lançamento até 2020.
A nave espacial utilizará a mais recente tecnologia de navegação para voar da órbita lunar até à superfície, tendo depois de aterrar com segurança e precisão. Durante a descida, deverá captar imagens da superfície e reconhecer características perigosas utilizando a sua própria ‘inteligência’. O módulo de aterragem irá, em seguida, investigar possíveis danos à saúde dos astronautas causados pela radiação e pelo pó lunar, bem como procurar gelo de água ou outros recursos que possam ser utilizados por exploradores humanos.