Um extraterrestre que passasse pela Terra dificilmente deixaria de reparar que o nosso planeta azul está, em grande parte, coberto por oceanos. No entanto, a Terra é o único mundo coberto por água no nosso Sistema Solar. Uma vez que os planetas com água parecem ser bastante raros, não é de admirar que os cientistas estejam entusiasmados com a primeira descoberta de uma atmosfera rica em água num planeta em órbita à volta de uma estrela distante.
São conhecidos mais de 200 destes planetas ‘exoplanetas’, mas muito poucos foram fotografados ou observados diretamente. Felizmente, alguns destes planetas ‘invisíveis’ podem ser detetados quando transitam, ou seja, quando passam à frente das suas estrelas. Foi assim que o gigante gasoso conhecido como HD 189733b foi descoberto em 2005. Este mundo semelhante a Júpiter provocou um ligeiro escurecimento da luz da sua estrela-mãe.

Desde então, foram realizados novos estudos sobre o HD 189733b por cientistas europeus e americanos. Utilizando o Telescópio Espacial Spitzer da NASA, mediram a luz infravermelha proveniente da estrela. À medida que o planeta se deslocava lentamente pelo disco da estrela, a sua atmosfera exterior bloqueava um comprimento de onda da luz mais do que os outros. A única explicação para este padrão de escurecimento é a presença de vapor de água na atmosfera do planeta.
Infelizmente, o planeta gigante não possui uma superfície rochosa onde se possam formar oceanos. Além disso, orbita extremamente perto da sua estrela. Com uma temperatura atmosférica superior a 700 °C, é demasiado quente para que chova. O escaldante HD 189733b está quase certamente desprovido de vida. No entanto, estes resultados estão a alimentar a esperança de encontrar planetas com água, semelhantes à Terra, num futuro não muito distante.