A Estação Espacial Internacional (ISS) é um dos locais mais secos habitados pelo ser humano. Até há relativamente pouco tempo, cada gota de água tinha de ser levada para a Estação por naves de abastecimento. Hoje em dia, a Estação dispõe de equipamento que recicla as águas residuais e a urina dos astronautas, transformando-as em água potável! Esta tecnologia notável está agora a ser utilizada para tratar a água fornecida aos alunos das escolas em Marrocos.
A ESA tem vindo a trabalhar há mais de 20 anos no desenvolvimento de um sistema de suporte de vida fechado e eficiente, capaz de tratar resíduos e fornecer oxigénio fresco, bem como alimentos e água, aos astronautas. Um dos avanços tem sido a criação de membranas extremamente finas – filtros especiais com poros (orifícios) tão pequenos que conseguem reter poluentes indesejados, como o nitrato.

Na cidade marroquina de Sidi Taïbi, em rápido crescimento, as águas subterrâneas são tão ricas em nitratos e fertilizantes que não são adequadas para consumo humano. No entanto, com base na tecnologia de membranas da ESA, empresas francesas e alemãs uniram-se para criar uma unidade de tratamento de água para a escola secundária local, alimentada por energia limpa – painéis solares e energia eólica.
A tecnologia já provou o seu valor no outro extremo do mundo, na Antártida. A base de investigação Concordia, rodeada de gelo, utiliza um sistema de filtração de água para reciclar as águas residuais provenientes de chuveiros, máquinas de lavar roupa e máquinas de lavar louça. No entanto, enquanto na Concordia vivem apenas 16 pessoas, a nova instalação de tratamento de água em Marrocos irá abastecer 1 200 estudantes. O excedente de energia e água gerado durante as férias escolares será partilhado com a população local. Se a tecnologia de membranas funcionar bem em Sidi Taïbi, será desenvolvida uma instalação muito maior para fornecer água potável ao resto da população da cidade.