A maior câmara digital alguma vez construída para uma missão espacial foi recentemente concluída, após muitas semanas de trabalho árduo. Composto por 106 detetores eletrónicos distintos, o “matriz de mil milhões de píxeis” resultante servirá como o “olho” supersensível da missão Gaia da ESA, dedicada ao mapeamento de galáxias.
Enquanto o olho humano, sem qualquer auxílio, consegue ver vários milhares de estrelas numa noite clara, o Gaia irá estudar mil milhões de estrelas na nossa própria galáxia, a Via Láctea. Durante uma missão de 5 anos, com início em 2013, irá enviar os melhores dados até à data sobre as posições e os movimentos destas estrelas, bem como sobre o seu brilho.

Para detetar estrelas até um milhão de vezes mais ténues do que o olho humano consegue ver, o Gaia irá transportar um conjunto de dispositivos de acoplamento de carga (CCDs), que são versões avançadas dos chips utilizados nas câmaras digitais comuns. Desenvolvidos no Reino Unido, estes detetores retangulares são um pouco mais pequenos do que um cartão de crédito, medindo cada um 4,7 x 6 cm, mas são mais finos do que um cabelo humano!
O mosaico de 0,5 x 1,0 metros foi montado nas instalações de Toulouse da Astrium France, o principal contratante da Gaia. Os técnicos encaixaram cuidadosamente cada CCD, deixando apenas uma folga de 1 mm entre eles. Trabalhando em turnos duplos em condições rigorosas de sala limpa, adicionaram uma média de quatro CCDs por dia, concluindo finalmente a sua tarefa a 1 de junho.
O conjunto completo assemelha-se a uma pequena área revestida de azulejos, disposta em sete filas. Quando estiverem em órbita, os detetores serão mantidos a uma temperatura de –110 ºC para aumentar a sua sensibilidade. O Gaia irá operar a 1,5 milhões de km de distância, no lado noturno da Terra. À medida que a Terra gira, os dois telescópios do Gaia irão varrer o céu, estudando cada estrela em pormenor à medida que esta se desloca pelo seu campo de visão.