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Iceberg gigantesco flutua agora à deriva

Larsen C breaks
Fraturas na Larsen C
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Nos últimos meses, uma grande fenda tem vindo a atravessar um vasto bloco de gelo na Antártida. Os satélites Sentinel-1 da ESA observaram agora que o gelo se separou completamente, dando origem a um dos maiores icebergues de sempre registados.

Ice crack seen by Sentinel-2A
Fenda no gelo observada pelo Sentinel-2A

Na verdade, a fenda surgiu pela primeira vez há vários anos, mas, no início, não cresceu muito. A situação mudou no início de 2016, quando começou a alongar-se. Só em janeiro de 2017, cresceu 20 km, atingindo um comprimento total de 175 km. No início de julho de 2017, faltavam apenas alguns km entre a ponta da fenda e o oceano. Desde então, os cientistas têm estado à espera que a fenda chegue ao oceano, separando assim um enorme icebergue da Antártida.

Infelizmente, a Antártida está a entrar nos meses escuros do inverno, em que a luminosidade é reduzida e o mau tempo é frequente, o que dificulta a observação, mesmo através de satélites. Para superar este problema, os cientistas do Projeto MIDAS, um grupo de investigação antártico liderado pela Universidade de Swansea, no Reino Unido, utilizaram o equipamento de imagem por radar dos satélites Sentinel para ver através da escuridão e das nuvens.

Trekking out for CryoSat
Caminhada para o CryoSat

Além disso, os cientistas utilizaram outro satélite da ESA, chamado CryoSat, para acompanhar a evolução da situação. O CryoSat possui um dispositivo denominado altímetro de radar, capaz de medir a altura e a espessura do gelo. Este dispositivo revelou-nos que a fenda tinha dezenas de metros de profundidade e não se tratava apenas de uma fenda superficial.

Este novo icebergue gigantesco tem cerca de 6 000 km² e pesa mais de um milhão de milhões de toneladas! É difícil prever o que irá acontecer a seguir. Pode permanecer a flutuar na zona durante muitos anos. Ou pode partir-se em icebergues mais pequenos, que poderiam derivar para norte, para águas mais quentes, onde o gelo derreteria.

Artist’s impression of Sentinel-1B
Imagem artística do Sentinel-1B

A perda de uma massa de gelo tão grande na Antártida pode causar problemas. Quando situações semelhantes ocorreram no passado, aceleraram o fluxo das geleiras para os oceanos, contribuindo para a subida do nível do mar na Terra.

A boa notícia é que, graças aos satélites da ESA, podemos manter-nos a par das mudanças que o nosso planeta está a sofrer, especialmente em locais de difícil acesso, como a Antártida. Quanto mais informação tivermos, melhor poderemos proteger o nosso planeta e a vida nele!

Curiosidade: O iceberg contém aproximadamente a mesma quantidade de água que o Lago Ontário, na América do Norte!