Em 2016, uma sonda da ESA chamada Rosetta concluiu uma missão incrível: voar até um cometa, estudá-lo a partir da órbita e enviar um módulo de aterragem robótico! Descobriram então indícios de que, há muito tempo, os cometas colidiram com a Terra e ajudaram a formar a nossa atmosfera!
Para fazer esta importante descoberta, os cientistas tiveram de agir como detetives. Sabemos que a atmosfera da Terra contém quantidades ínfimas de um gás chamado xénon. Existem muitos tipos de xénon na nossa atmosfera, sendo que cada tipo é produzido de uma forma ligeiramente diferente. Isto proporciona uma espécie de “impressão digital” que pode ser utilizada para distinguir diferentes misturas de tipos de xénon.

Os cientistas descobriram xenónio na fina atmosfera de Marte, em asteróides, em Júpiter e em partículas provenientes do Sol. Mas o xenónio da Terra tem uma “impressão digital” diferente das outras! Isto significa que o xenónio que temos aqui na Terra deve ter vindo de um local diferente do xenónio que se encontra noutros locais do Sistema Solar.
O xenónio na Terra é muito antigo e, ao longo do tempo, a sua composição foi-se alterando. Os cientistas utilizaram modelos informáticos para prever como seria o xenónio na Terra há cerca de quatro mil milhões e meio de anos, quando o nosso planeta se estava a formar. Isto leva-nos de volta à sonda Rosetta da ESA. Quando esta estudou o cometa, adivinhem o que descobriu? Xenónio com quase a mesma “impressão digital” que o xenónio da Terra antiga!

Esta é uma forte evidência de que, há muito tempo, cometas colidiram com a Terra, trazendo xenónio consigo. Mas, embora o xenónio do cometa seja semelhante ao da Terra primitiva, não é exatamente o mesmo. De facto, as evidências encontradas pela Rosetta indicam que os cometas contribuíram com cerca de 22% para o xenónio antigo da Terra, enquanto o restante provavelmente provém de asteróides.
E se os cometas trouxeram xenónio, será que também poderiam ter trazido outras coisas? Talvez os cometas tenham trazido aminoácidos – um dos ingredientes da vida!

Graças aos dados enviados pela sonda Rosetta da ESA, estamos cada vez mais perto de responder a todas estas perguntas e a muitas outras ainda!
Curiosidade: O nome oficial do cometa que a Rosetta estudou é 67P/Churyumov-Gerasimenko. A Rosetta aproximou-se incrivelmente do cometa para recolher xénon – a apenas 5 km acima da sua superfície!