Tudo o que vemos no espaço, como estrelas, planetas e até mesmo pessoas, é constituído por um tipo de matéria chamada bárions. No entanto, parece que faltam muitos dos bárions do Universo, e localizá-los tem sido um grande desafio. Um grupo de astrónomos, utilizando um telescópio espacial da ESA chamado XMM-Newton, tem ajudado a resolver este mistério cósmico!
Sabemos quantos bárions deveria haver no Universo através do estudo do chamado «Fundo Cósmico de Micro-ondas», que é a luz mais antiga, datando de apenas 380 000 anos após o Big Bang. Todos os bárions parecem estar presentes durante alguns milhares de milhões de anos, mas depois cerca de metade desaparece!

Fabrizio Nicastro é um dos cientistas que tentam resolver este enigma. Ele explica: “Os bárions desaparecidos representam um dos maiores mistérios da astrofísica moderna. Sabemos que essa matéria deve estar algures lá fora, vemos-a no Universo primitivo, mas depois deixamos de a conseguir detetar. Para onde foi?”
Mesmo somando todas as estrelas e o gás no espaço, juntamente com tudo o resto que os astrónomos conseguiram encontrar, ainda faltavam 40% de bárions. É que eles são mesmo bons a esconder-se! O Fabrizio e os seus amigos decidiram utilizar um telescópio especial para os ajudar na sua busca: o XMM-Newton da ESA. Este telescópio encontra-se no espaço e observa raios X, em vez da luz normal que os nossos olhos vêem.
Os intrépidos astrónomos utilizaram o XMM-Newton para observar um quasar, que é uma galáxia maciça com um buraco negro supermassivo no seu centro, que atrai matéria e emite grandes quantidades de raios X! Ao estudarem cuidadosamente os dados, encontraram sinais de oxigénio escondidos no espaço entre nós e o quasar. Nunca antes tínhamos conseguido ver isto! Fabrizio explica: “Existem enormes reservas de matéria — incluindo oxigénio — ali, e exatamente na quantidade que esperávamos, pelo que finalmente podemos colmatar a lacuna no balanço de bárions do Universo.”

Os bárions desaparecidos estavam escondidos numa espécie de nevoeiro quente que se estende por centenas de milhares de anos-luz no espaço entre as galáxias. O mistério foi desvendado e, agora, os astrónomos podem começar a estudar esses bárions para descobrir mais sobre eles!
Curiosidade: Embora a matéria bariónica constitua tudo o que vemos, representa apenas 5% da matéria existente no Universo! A misteriosa matéria escura representa cerca de 25%, e a energia escura, cerca de 70%.