Será que algo mau pode levar a algo bom? Talvez sim, de acordo com uma nova investigação sobre o aquecimento global.
Os cientistas sabem que a elevada concentração de dióxido de carbono na nossa atmosfera é uma das principais causas do aquecimento global. Para prever a quantidade de dióxido de carbono que está a ser libertada para a atmosfera, é importante ter em conta onde é que este está a ser libertado e onde é que está a ser absorvido.
Nós, seres humanos, queimamos carvão, utilizamos gás e petróleo, temos muitos carros e gastamos muita energia para aquecer as nossas casas. Tudo isto liberta dióxido de carbono para a atmosfera da Terra. À medida que as temperaturas globais aumentam, assistimos a alterações no clima da Terra. Estas incluem o derretimento das geleiras, a subida do nível do mar e fenómenos meteorológicos extremos – tudo isto são más notícias.
Um dos efeitos menos conhecidos do aumento das temperaturas é o facto de a neve que cobre as vastas florestas do Canadá, da Rússia, da Escandinávia e dos EUA estar a derreter mais cedo no ano. Isto deixa à vista muitas árvores, que absorvem dióxido de carbono do ar. Isto é muito útil, pois ajuda a travar o aquecimento global!

Para ajudar a medir os níveis de dióxido de carbono, um projeto da ESA chamado GlobSnow utilizou satélites para observar a quantidade de neve que cobria partes do hemisfério norte entre 1979 e 2015. Uma equipa de cientistas analisou recentemente toda esta informação e descobriu que as árvores e as plantas têm começado a crescer cada vez mais cedo a cada primavera. Isto permite-lhes absorver muito mais dióxido de carbono. Portanto, neste caso, algo de bom resultou de algo de mau!
Estes novos resultados vão agora ser utilizados para nos ajudar a fazer previsões ainda mais precisas sobre o aquecimento global.
Curiosidade: No próximo ano, a ESA dará início ao seu projeto Snow_cci, com o objetivo de obter registos ainda mais precisos dos níveis de neve em todo o mundo.