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Procura de exoplanetas

Exoplanet imaginarium
Imaginário dos exoplanetas
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Alguma vez já foste à caça… de planetas?

Pode parecer estranho, mas é exatamente isso que os astrónomos estão a fazer! Durante séculos, pensámos que os oito planetas do nosso Sistema Solar eram tudo o que existia. Mas, nas últimas décadas, os cientistas descobriram milhares de mundos a orbitar estrelas distantes. Estes são chamados de planetas extra-solares, ou exoplanetas, para abreviar, e são muito mais comuns do que alguma vez imaginámos. A busca por planetas ainda não terminou, está apenas a começar! 

Encontrar exoplanetas, no entanto, é um verdadeiro desafio. São pequenos, escuros e quase impossíveis de ver, mesmo com os telescópios mais potentes. Em vez disso, os astrónomos recorrem a uma série de truques engenhosos, seguindo pistas e padrões para revelar estes mundos distantes. 

Dica 1: Identificar um planeta através de imagens diretas

A primeira e mais simples ideia é, simplesmente, tirar uma fotografia de um planeta. Este método é conhecido como «Imagem Direta». 

É mais fácil dizer do que fazer! A luz de uma estrela pode facilmente ofuscar o brilho fraco de quaisquer planetas nas proximidades. Para contornar esta dificuldade, os astrónomos utilizam ferramentas especiais que bloqueiam a luz brilhante da estrela, revelando planetas pouco luminosos em órbita. Este truque funciona melhor com planetas muito grandes que orbitam longe das suas estrelas. Estes mundos refletem mais luz e estão suficientemente distantes para que se possam distinguir do brilho da estrela.  

Embora a técnica de imagem direta tenha revelado algumas descobertas impressionantes, só funciona num pequeno número de sistemas planetários. 

Dica 2: Procure estrelas que oscilam utilizando a velocidade radial

Tal como um verdadeiro caçador, por vezes não se consegue ver o alvo e, por isso, é preciso procurar pistas nas proximidades. As estrelas podem dar indícios de que escondem um planeta. Uma dessas pistas é o facto de a estrela oscilar!  

À medida que um planeta orbita em torno de uma estrela, a gravidade do planeta exerce também uma atração sobre a estrela, fazendo com que esta oscile no espaço. O nome científico para este fenómeno é «velocidade radial».  

O movimento é muito pequeno, mas, com a utilização de instrumentos sensíveis, pode ser possível detetar estrelas que oscilam e, assim, sinais de que também possam existir exoplanetas! 

Hubble finds water vapor on habitable-zone exoplanet for the first time
O Hubble deteta, pela primeira vez, vapor de água num exoplaneta na zona habitável

Dica 3: Acompanhar as alterações de posição através da astrometria

Outra forma de detetar estrelas que se movem de forma estranha (e que, por isso, podem ser orbitadas por exoplanetas) consiste em medir cuidadosamente a posição de uma estrela no céu.  

Uma estrela com um planeta não se desloca pelo espaço numa linha perfeitamente reta, mas sim traçando uma trajetória minúscula e sinuosa, à medida que reage à gravidade do planeta. É como se a estrela e os seus planetas estivessem a dançar uma dança cósmica! 

Esta técnica denomina-se astrometria e é utilizada pela missão Gaia da ESA. Quanto maior for o planeta e quanto mais distante estiver da estrela, mais fácil é localizá-lo através da astrometria.  

Dica 4: Observa as sombras utilizando o método de trânsito

Por vezes, um caçador não vê o seu alvo, mas sim a sua sombra! Se, do nosso ponto de vista, um planeta passar à frente da sua estrela, bloqueia uma pequena fração da luz. A isto chama-se «trânsito». A estrela parece escurecer ligeiramente, voltando depois ao seu brilho normal assim que o planeta sai do seu caminho. 

É difícil observar os trânsitos porque a variação na luz é muito pequena, mas os telescópios especiais destinados à procura de planetas, como a missão Plato da ESA, são muito eficazes nessa tarefa! O Plato consegue até encontrar exoplanetas semelhantes à Terra em torno de estrelas como o nosso Sol, apesar de esses planetas serem bastante pequenos e, por isso, não bloquearem muita luz! 

Os caçadores de exoplanetas têm de ser pacientes, esperando meses ou até anos para observar um padrão repetido de diminuição do brilho das estrelas. A missão Plato da ESA foi concebida para observar milhares de estrelas em simultâneo, à procura destes sinais recorrentes. Ao medir a intensidade com que a luz se atenua e a frequência com que o trânsito ocorre, os astrónomos podem utilizar os dados da missão Plato para determinar o tamanho e a órbita de um planeta. 

A caçada continua!

Graças a estas técnicas, os astrónomos descobriram milhares de exoplanetas, revelando uma variedade notável de mundos. Alguns são enormes gigantes gasosos que orbitam perto das suas estrelas. Outros são planetas gelados que vagueiam a grande distância. Alguns podem até encontrar-se em zonas à volta das suas estrelas onde a temperatura é ideal para a existência de água na forma líquida! 

E isto é apenas o começo. Ainda há muitos planetas por descobrir, escondidos na luz das suas estrelas ou à espera da técnica certa para os revelar. Talvez um desses planetas seja semelhante à Terra e possa até abrigar vida. Gostarias de ajudar a localizar um planeta assim? 

Artist's impression of exoplanet Kepler 16 b
Imagem artística do exoplaneta Kepler 16 b